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Em minha casa deve haver muita humildade como essa que agora só recebe desprezo. Deve haver uma forte parede divisória entre os homens e as mulheres, apesar de eu ser capaz de defender a cada um e de apoiá-los sem necessidade de paredes, mas por precaução e devido aos saques do demônio, quero um muro que separe as duas residências. Tem que ser uma parede forte, mas modesta e não demasiadamente alta. As janelas devem ser muito sensíveis e transparentes, o telhado moderadamente alto, de forma que não se veja ali nada que não indique humildade.
Os homens que, hoje em dia, edificam casas para mim, são construtores magistrais, mas agarram o Senhor da casa e, quando Ele entra, pisoteiam-lhe os pés. Elevam o barro muito alto e colocam o ouro por baixo. Isso é o que fazem comigo. Constróem barro, ou seja, acumulam bens temporais e perecíveis sob o Céu, enquanto que descuidam das almas, que, para mim, são mais preciosas que ouro. Quando tento ir até eles, através de minhas palavras ou mediante bons pensamentos, agarram-me com arrogância e me pisoteiam, ou seja, me atacam com blasfêmias e consideram meus trabalhos e palavras tão desprezíveis como o barro. Consideram-se, assim, muito mais sábios.
Se quisessem construir algo para mim e para minha glória, a primeira coisa que deveriam fazer seria construir suas próprias almas. Quem constrói minha casa tem que ter o máximo cuidado de não deixar que entre um único centímetro que não tenha sido adquirido de origem reta e justa para destiná-lo ao edifício. Há muitas pessoas que sabem que possuem bens conseguidos ilicitamente e não se arrependem disso, nem têm intenção de restituir e reparar seus roubos e fraudes, apesar de saberem que poderiam fazê-lo se assim quiserem. Todavia, como sabem que não podem manter estas coisas para sempre, dão uma parte de seus bens mal adquiridos à Igreja, como se pudessem aplacar-me com sua doação. As posses legítimas reservam as seus descendentes.
Isso não me agrada em nada. Uma pessoa que deseja agradar-me com suas doações, deve ter, antes de tudo, o propósito de emendar-se em seu caminho e depois fazer todo bem que puder. Deve lamentar-se e chorar pelo mal que fez e restituí-lo se puder. Se não puder, deve ter a intenção de fazer a restituição de seus bens adquiridos fraudulentamente. Então, tem que cuidar de não voltar a cometer tais pecados. Se a pessoa a quem deve restituir os bens mal adquiridos já não está viva, então pode fazer a mim a doação, pois, com isso, posso devolver-lhes este benefício. Se não puder restituí-los, sempre que se humilhar diante de mim, com um propósito de emenda e um coração contrito, tenho meios de fazer a restituição e, agora ou no futuro, restaurar tais bens àqueles que foram prejudicados.
Vou explicar-lhe o significado da casa que quero construir. A casa é a vida religiosa. Eu sou o Criador de todas as coisas, através do qual tudo foi feito e existe, sou seu fundamento. Há quatro paredes nesta casa. A primeira é a justiça pela qual julgo aqueles que são hostis a ela. A segunda parede é a sabedoria com a qual ilumino seus habitantes com meu conhecimento e compreensão. A terceira é o poder mediante o qual fortaleço a todos contra as maquinações do demônio. A quarta parede é minha misericórdia que acolhe quem quer que a peça. Nessa parede está a porta da graça, através da qual todos aqueles que a buscam são bem vindos. O telhado desta casa é a caridade, mediante a qual cubro os pecados daqueles que me amam de forma que não sejam sentenciados por suas falhas.
A clarabóia do teto, por onde entra o sol, é a consideração de minha graça. Através dela, se introduz aos habitantes o candor de minha divindade. O fato da parede ser grande e forte significa que nada pode enfraquecer minhas palavras nem destruí-las. Já o ser moderadamente alta significa que minha sabedoria pode ser entendida e compreendida em parte, mas nunca completamente. As janelas sensíveis e transparentes significam que minhas palavras são simples e, assim, chega ao mundo, através delas, a luz do conhecimento divino. O telhado moderadamente alto significa que minhas palavras não devem manifestar-se de maneira incompreensível ou inalcansável senão de forma clara e simples.
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