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A Mãe falou a esposa de seu Filho dizendo-lhe: “Você é a esposa de meu Filho. Diga-me, no que está pensando e o que deseja?” A esposa respondeu: “Senhora minha, a Senhora o sabe, porque sabe tudo”. A Virgem Bendita acrescentou: “Mesmo que eu saiba tudo, gostaria que me dissesse na presença dessas pessoas que lhe escutam”. A esposa disse: “Senhora minha, temo duas coisas. Primeiro – disse – temo não lamentar-me nem emendar-me por meus pecados tanto quanto desejaria. Segundo, estou triste porque seu Filho tem muitos inimigos”.
A Virgem Maria retomou a palavra: “Darei-lhe três remédios para a primeira preocupação. Em primeiro lugar, pense em como todos os seres que não têm espírito eterno, como as rãs ou qualquer outro animal, de vez em quando têm problemas. Seus espíritos, que não são eternos, desaparecem quando seus corpos morrem. Todavia, seu espírito e toda a alma humana vive para sempre. Segundo, pense na misericórdia de Deus, porque não há ninguém que, por mais pecados que tenha, não seja perdoado se tão somente rezar com contrição e com a intenção de melhorar. Terceiro, pense quanta glória consegue a alma quando vive com Deus e em Deus eternamente.
Vou dar-lhe também três remédios para sua segunda preocupação, sobre os muitos inimigos de Deus. Primeiro, considera que seu Deus e Criador, e o deles também, é seu Juiz, e que eles nunca se atreverão a sentenciar, mesmo que suportou pacientemente sua maldade durante tempos. Segundo, recorde que eles são os filhos da infâmia, e pense no quão duro e insuportável será para eles arder eternamente. São servos tão péssimos que ficam sem herança, enquanto os bons filhos a receberão. Mas talvez se pergunte: ‘Nada, então, vai aconselhar a eles?’ Claro que sim! Recorda que as boas pessoas se misturam com os perversos e que os filhos adotivos, às vezes, se afastam dos bons como o filho pródigo que procurou uma terra distante e levou uma vida de perdição. Mas, às vezes, certas palavras convertem suas consciências e eles voltam ao Pai e eu os aceito como antes de terem cometido o pecado. É assim que se deve aconselhá-los, especialmente porque um conselheiro pode encontrar somente gente perversa ao seu redor, mas deve pensar em seu interior: ‘Talvez haja alguns entre eles que se tornaram filhos de meu Senhor. Por isso, os aconselharei’. Esse conselheiro será muito premiado.
Em terceiro lugar, considere que os malvados, se ainda continuam vivendo, é para que sejam como prova para os bons que estão perdidos, os filhos pródigos, para que eles, exasperados pelos hábitos dos perversos, possam conseguir sua remuneração como fruto de sua paciência. Poderá entender melhor isso por meio de um exemplo. Uma rosa desprende um agradável aroma, é bela de se ver e suave para o tato, mas cresce entre espinhos que espetam se os tocar, são feios de se ver e não desprendem nenhum bom odor. Igualmente, as pessoas boas e retas, mesmo que possam ser agradáveis por sua paciência, belas por seu caráter e suaves por seu bom exemplo, no entanto não podem progredir, nem serem postas à prova a menos que estejam entre os malvados.
Os espinhos são, às vezes, a proteção da rosa, de forma que ninguém a arranque em plena floração. Assim também, os malvados oferecem aos bons a ocasião de não lhes seguir no pecado quando, devido à maldade dos outros, os justos se reprimem antes a ruína que lhes levaria uma imoderada alegria ou qualquer outro pecado. O vinho não mantém sua qualidade exceto entre excrementos e tampouco as pessoas boas e justas podem manter-se firmes nos avanços das práticas das virtudes sem serem postas à prova mediante tribulações e sendo perseguidas pelos injustos. Por isso, suporte os inimigos de meu Filho. Recorde que Ele é o Juiz e, se a justiça exigir que Ele os destrua por completo, acabaria com eles em um instante. Tolera-os, pois, tanto como Ele os tolera!”
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