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Eu sou o Deus que uma vez foi chamado de o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó. Eu sou o Deus que deu as Leis a Moisés. Esta Lei era como uma vestimenta. Assim como uma gestante prepara o enxoval de seu bebê, Deus também preparou a Lei, que foi a vestimenta, a sombra e o sinal das coisas por vir. Vesti-me e embrulhei-me nas vestimentas da Lei. À medida que um menino cresce, suas roupas velhas são substituídas por novas.
Da mesma forma, quando a vestimenta da Lei Antiga estava pronta para ser deixada de lado, Eu vesti a roupa nova, ou seja, a Nova Lei e a dei para todos que quisessem ter a mim e às minhas vestimentas. Esta roupa não é muito apertada, nem difícil de vestir, mas é bem justa. Ela não ordena que as pessoas jejuem ou trabalhem demais, nem que se matem ou façam algo além de seu alcance, mas ela é benéfica para a alma e conduz à moderação e correção do corpo. Pois, quando o corpo está muito preso ao pecado, o pecado o consume.
Duas coisas podem ser encontradas na Nova Lei. Primeiro, a temperança prudente e o uso correto dos bens físicos e espirituais. Segundo, uma facilidade para manter a Lei, na qual a pessoa que não puder se manter em um estado poderá em outro. Nela, descobre-se que a pessoa que não foi chamada a viver o celibato pode viver um matrimônio honrado, pois, mesmo depois de cair no pecado, a pessoa pode levantar-se novamente. Entretanto, agora, esta Lei é rejeitada e menosprezada pelo mundo. As pessoas dizem que a Lei é muito rígida, pesada e sem atrativos. Eles a chamam de rígida, pois a Lei ordena que a pessoa se contente somente com aquilo que é necessário e evite o que é supérfluo. Porém, eles querem ter tudo além da razão e mais do que o corpo pode suportar, assim como a ralé.
É por isso que ela parece ser rígida ou rigorosa para eles. Segundo, eles dizem que é pesada, pois a Lei diz que a pessoa deve tolerar o desejo pelo prazer com razão e em tempos estabelecidos. Mas, querem ceder aos seus prazeres mais do que é bom e além do que é estabelecido. Terceiro, dizem que ela não tem atrativos, pois a lei ordena que eles amem a humildade e refiram todo bem a Deus. Querem ser orgulhosos e exaltar a si mesmos pelos presentes bons que Deus os deu. É por isso que ela não é atraente para eles.
Viu como eles se desfazem das roupas que lhes dei? Eu dei um fim aos velhos costumes e introduzi o novo para durar até que Eu venha no julgamento, pois os modos antigos eram muito difíceis. Porém, eles, vergonhosamente, descartaram a vestimenta com a qual cobri a alma, ou seja, uma fé ortodoxa. Além de somarem pecado sobre pecado, também querem me trair. Davi não disse no salmo: ‘Aquele que comeu de meu pão tramou a traição contra mim?’ Quero que perceba duas coisas nessas palavras. Primeiro, ele não diz “trama”, mas “tramou”, tão forte que já é passado.
Segundo, ele aponta somente para um homem como traidor. Da mesma forma, Eu digo que são aqueles no presente que me traem, não aqueles que foram ou serão, mas aqueles que continuam vivos. Também digo que não se trata de apenas uma pessoa, mas de muitas. Mas você deve me perguntar: ‘Não há dois tipos de pão, aquele invisível e espiritual, do qual os Anjos e os Santos vivem e o outro que pertence à Terra, pelo qual os homens se alimentam? Mas os Anjos e os Santos não desejam nada a menos que esteja de acordo com a sua vontade, e os homens não podem fazer nada a menos que você aceite. Como, então, podem te trair?’
Na presença do meu anfitrião celestial que sabe e vê todas as coisas em mim, Eu respondo de forma que possa compreender: De fato, há dois tipos de pão. Um é aquele dos Anjos, que comem meu pão no meu Reino e são preenchidos com a minha glória indescritível. Eles não me traem, pois não querem nada que não seja aquilo que Eu quero. Mas aqueles que comem meu pão no altar me traem. Eu realmente sou o Pão Vivo. É possível perceber três coisas nesse Pão: forma, sabor e harmonia. De fato, Eu sou o Pão e, como tal, tenho três coisas em mim: sabor, forma e harmonia. Sabor, pois tudo e qualquer coisa sem mim é sem sabor, insatisfatório e sem sentido, assim como uma refeição sem pão é sem sabor e não nutritiva.
Eu também tenho a forma de um pão, ou seja, a forma na qual permaneço na Terra. Vim na forma humana da Virgem Mãe, já ela vem da descendência de Adão, que, por sua vez, é da Terra. Pode-se encontrar em mim a perfeita harmonia, pois não tenho começo ou fim. Ninguém pode imaginar ou encontrar o começo da minha sabedoria, do meu poder e da minha caridade. Sou em todas as coisas, estou sobre todas as coisas e além de todas as coisas. Mesmo se alguém fosse como uma flecha, que segue perpetuamente seu curso sem parar, nunca conseguiria encontrar o fim ou o limite do meu poder e da minha força.
Portanto, através dessas coisas, sabor, forma e harmonia, Eu sou o Pão perfeito que se consagra sobre o altar, pão que é transformado no meu corpo, aquele mesmo que foi crucificado. Assim como uma coisa que é seca e facilmente inflamável é consumida rapidamente quando colocada no fogo e em seguida não resta nada, pois o fogo a consome, assim também acontece quando estas palavras são ditas: ‘Este é o meu corpo…,’ o que antes era pão imediatamente se torna meu corpo. É colocada uma chama, não pelo fogo, mas pela minha divindade. Portanto, aqueles que comem do meu corpo eucarístico são aqueles que me traem.
Que tipo de crime poderia ser mais repugnante do que matar a si mesmo? Ou qual traição pode ser pior do que quando duas pessoas estão unidas por alguma coisa indissolúvel, assim como um casal, e um trai o outro? O que um dos dois faz para trair o outro? Ele diz a ela decepcionado: ‘Vamos a tal e tal lugar assim posso ter minha jornada com você!’ Então, ela o acompanha com toda simplicidade, pronta para atender a todos os desejos de seu marido. Mas, quando ele encontra a oportunidade e o lugar certos, aponta armas traiçoeiras contra ela, ou utiliza algo pesado o suficiente para matá-la com um único golpe, ou afiado o suficiente para cortar seus órgãos vitais, ou, ainda, algo sufocante para asfixiar seu espírito de vida. Então, quando ela morre, o traidor pensa consigo mesmo: ‘Agora eu errei. Se meu crime for descoberto e tornar-se público, serei condenado à morte’ Então, ele coloca o corpo de sua esposa em um lugar escondido, assim seu pecado não será descoberto.
Esta é a forma com que sou tratado pelos meus sacerdotes, que são meus traidores. Pois eles e Eu estamos ligados por uma substância indissolúvel, pois quando pegam o pão e, pelo pronunciamento das minhas palavras, o transformam em meu corpo verdadeiro, aquele que recebi da Virgem. Nenhum Anjo pode fazer isto. Eu dei essa dignidade apenas aos sacerdotes e selecionei-os para as ordens mais altas. Mas eles lidam comigo como traidores. Colocam um sorriso feliz e agradável no rosto para mim e me levam a um local escondido onde podem me trair. Estes sacerdotes colocam um sorriso no rosto por aparentarem ser bons e simples. Eles me levam para uma câmara escondida através da aproximação do altar. Lá, estou pronto como uma noiva ou um noivo para realizar todos os seus desejos e, ao contrário, eles me traem.
Primeiro, me batem com algo pesado sempre que o ofício divino, que recitam para mim, se torna incomodamente pesado. Preferem falar uma centena de palavras pelo mundo do que uma única palavra em minha honra. Preferem dar uma centena de moedas de ouro para o Mundo do que um único centavo para Mim. Preferem trabalhar centenas de vezes para seu próprio benefício e da Terra do que uma só vez para minha honra. Eles me pressionam tanto com este fardo pesado que é como se eu estivesse morto em seus corações. Segundo, eles me perfuram com uma lâmina afiada que penetra em meus órgãos vitais cada vez que o sacerdote sobe ao altar com o conhecimento de que ele pecou e arrependeu-se, mas está firmemente determinado a pecar novamente, uma vez que tenha acabado a sua tarefa. Pensam consigo mesmos: Eu realmente me arrependo do meu pecado, mas não vou desistir da mulher com a qual pequei, para ser capaz de não pecar mais.’ Isto me corta como se fosse a mais afiada das lâminas.
Terceiro, é como se eles asfixiassem meu Espírito quando pensam: ‘É bom e prazeroso estar no mundo, é bom perder-se na luxúria e não posso me conter. Farei o que quiser na minha juventude. Quando envelhecer, irei me abster e melhorar os meus hábitos.’ E, através desse mau pensamento, eles sufocam o espírito de vida. Mas como isso acontece? Bem, neles, o coração cresce tão frio e tépido em relação a mim e todas as virtudes que ele nunca pode se aquecer ou crescer no meu amor. Assim como o gelo que não pega fogo, mesmo quando mantido sobre uma chama, apenas derrete, o mesmo aconteceria com eles, se Eu desse a minha graça e eles ouvissem minhas palavras de censura, não avançariam no modo de vida, mas apenas cresceriam barreiras e escória em relação a toda virtude. E assim me traem, naquilo que fingem ser simples sem ser, ficam tristes em dar-me a glória em vez de aproveitá-la e também naquilo que pretendem pecar e continuam pecando até o final.
Eles também me escondem e me colocam em um local afastado de todos e pensam: ‘Sei que pequei. Mas se me abstiver do sacrifício, ficarei envergonhado e todos irão me condenar.’ Então, imprudentemente, eles sobem ao altar e me colocam diante deles e me seguram, Deus e Homem verdadeiro. Fico como se estivesse em um lugar escondido, uma vez que ninguém sabe quão corrompido e sem vergonha eles são. Eu, Deus, diante deles, como se estivesse confinado, já que, mesmo se o sacerdote for o pior dos pecadores e pronunciar as palavras “Este é o meu corpo… ”, continua consagrando meu corpo verdadeiro na Eucaristia, e Eu, Deus e Homem verdadeiro, estou ali diante dele. Entretanto, quando me coloca em sua boca, não estou mais presente para ele na graça das minhas naturezas humana e divina, para ele só resta a forma e o sabor do pão, não porque Eu não esteja realmente presente ali para os maus assim como para os bons devido à instituição do sacramento, senão porque os bons e os maus não me recebem com os mesmos efeitos.
Olhe, estes sacerdotes não são meus sacerdotes, mas traidores! Eles também me vendem e me traem como Judas. Olho para os pagãos e Judeus, mas não vejo ninguém pior que estes sacerdotes, já que caíram no pecado de Lúcifer. Agora, deixe me dar sua sentença e a quem eles se assemelham. A sentença é a condenação. Davi condenou aqueles que eram desobedientes a Deus, não por ira, má vontade ou impaciência, senão pela justiça divina, pois ele foi um profeta e rei justo. Eu, que sou maior que Davi, também condeno estes sacerdotes, não através da raiva ou má vontade, mas pela justiça.
Maldito seja tudo que tenham retirado da Terra para seu próprio benefício, pois eles não louvam seu Deus e Criador que deu a eles estas coisas. Amaldiçoada seja a comida e a bebida que entra em suas bocas e que engorda seus corpos para depois virarem comida para minhocas levando, por fim, suas alma ao inferno.
Amaldiçoados sejam seus corpos que se levantarão novamente no inferno para serem queimados eternamente. Amaldiçoados sejam os anos inúteis de suas vidas. Amaldiçoadas sejam as suas primeiras horas no inferno, pois nunca acabarão. Amaldiçoados sejam seus olhos que viram as luzes do paraíso.
Amaldiçoados sejam os ouvidos que ouviram minhas palavras e permaneceram indiferentes. Amaldiçoado seja o paladar, pelo qual experimentaram meus presentes.
Amaldiçoado seja o tato, pelo qual eles me tocaram. Amaldiçoado seja o olfato, pelo qual sentiram coisas prazerosas e me negligenciaram, o mais prazeroso de todos.
Como, exatamente, eles estão amaldiçoados? Bem, suas visões estão amaldiçoadas porque não verão a Deus em si, mas apenas escuridão e a punição do inferno. Seus ouvidos estão amaldiçoados porque não escutarão minhas palavras, apenas os clamores e horrores do inferno. Seus paladares estão amaldiçoados porque não experimentarão minha alegria e bens eternos, mas sim a amargura eterna. O tato está amaldiçoado, pois não irão me tocar, tocarão apenas o fogo perpétuo. Seus olfatos estão amaldiçoados, pois não sentirão os cheiros mais doces do meu Reino, que superam todos os perfumes, mas terão apenas o fedor do inferno que é mais amargo do que a bile e pior que enxofre.
Eles podem ser amaldiçoados pela Terra, pelo Céu e por todas as criaturas brutas se não mudarem de comportamento. A justiça obedece e glorifica a Deus, pois terão a justa paga de seu afastamento do reto caminho pelo qual juraram fidelidade. Portanto, Eu juro pela verdade, pois sou a Verdade, que se eles morrerem dessa forma, com tal disposição, nem meu amor nem minha virtude irá rodeá-los. Ao contrário, eles serão condenados para sempre.
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