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Sou como um poderoso senhor que construiu uma cidade e deu seu nome a ela. Na cidade, ele então construiu um palácio no qual havia vários pequenos cômodos para armazenagem. Depois de construir o palácio e de organizar sua situação, ele dividiu seu pessoal em três grupos, dizendo: ‘Estou partindo para uma região remota. Fiquem firmes e trabalhem bravamente em nome de minha glória! Providenciei o que precisam para saciar sua fome e outras necessidades. Vocês têm juízes para julgá-los. Têm defensores para defendê-los de seus inimigos. Também providenciei trabalhadores para alimentá-los.
Eles devem pagar um décimo de seu trabalho, reservando esta quantia para meu uso e em meu nome.’ Entretanto, algum tempo após ter partido, o nome da cidade foi esquecido. Então, os juízes disseram: ‘Nosso senhor viajou para uma região remota. Que julguemos corretamente e façamos justiça de modo que, quando ele retornar, não seremos acusados, e sim elogiados e abençoados’. Então, os defensores disseram: ‘Nosso senhor confia em nós e entregou sua casa a nossos cuidados. Assim, que privemo-nos de nosso alimento e bebida supérfluos, para que possamos estar qualificados para a batalha!
Que privamo-nos de nosso sono excessivo, para que não sejamos vítimas de armadilhas! Que estejamos bem armados e em alerta constante, para que não nos peguem de surpresa em um ataque inimigo! A honra de nosso senhor e a segurança de seu povo dependem de nós’. Então, os trabalhadores disseram: ‘A glória de nosso senhor é grande e sua recompensa é maravilhosa. Que trabalhemos vigorosamente e demos a ele não apenas um décimo de nosso trabalho, mas ofereçamos tudo o que sobrar de nossas despesas! Nossos salários serão tão gloriosos assim como é grande o amor que ele detém por nós’. Depois disso, algum tempo se passou e o senhor da cidade e seu palácio foram esquecidos. Então, os juízes disseram para si mesmos: ‘Nosso senhor está demorando. Não sabemos se retornará. Assim, julguemos da forma que quisermos e como nos agrada!’
Depois disso, os defensores disseram: ‘Somos tolos, pois trabalhamos e não sabemos que recompensa receberemos. Aliemo-nos a nossos inimigos e durmamos e bebamos com eles! Pois, assim, não nos preocuparemo com eles.’ Depois disso, os trabalhadores disseram: ‘Por que guardamos nosso ouro para outra pessoa? Não sabemos quem ficará com ele. É melhor, então, que o usemos de acordo com nossa vontade. Que demos a décima parte aos juízes, e, depois de nos conciliar com eles, poderemos fazer o que quisermos’. Verdadeiramente, sou como este poderoso senhor. Construí uma cidade, isto é, o mundo, e lá fiz um palácio, isto é, a Igreja.
O nome dado ao mundo foi divina sabedoria, pois já tinha este nome desde o início, já que foi criado na divina sabedoria. Este nome foi venerado por todos e Deus foi louvado por sua sabedoria e proclamado por suas criaturas. Nos tempos atuais, o nome da cidade foi desonrado e modificado, sendo que agora é chamado de sabedoria humana. Os juízes, que antes davam sentenças justas por temor ao Senhor, agora se voltaram ao orgulho e estão decadentes.
Desejam ser eloqüentes para serem louvados pelos humanos; falam agradavelmente para obter favores. Toleram quaisquer palavras para que digam que são bons e compassivos; permitem-se ser subornados e delegam sentenças injustas. São ajuizados no que diz respeito a seus bens mundanos e seus desejos, mas são ignorantes em relação a meu louvor. Pisoteiam os homens comuns e os mantêm quietos. Expandem sua ganância a todos e transformam o que é certo em errado. Esta é a sabedoria apreciada nos dias de hoje, enquanto a minha cai em esquecimento.
Os defensores da Igreja, que são os nobres e os cavaleiros, olham para meus inimigos, que atacam a minha Igreja, e fingem que não os vêem. Escutam estes se aproximarem e não dão importância. Conhecem e entendem os feitos daqueles que atacam meus mandamentos e, entretanto, os toleram pacientemente. Vêem-nos cometer diariamente todo tipo de pecado mortal e não se arrependem, pelo contrário, dormem ao lado deles e fazem acordos com eles, unindo-se através de juramento.
Os trabalhadores, que representam todos os cidadãos, rejeitam meus mandamentos e retêm meus presentes e dízimos. Subornam os juízes e lhes demonstram reverência para garantir sua boa vontade e favores. Ouso dizer que, de fato, a espada do temor a mim e a minha Igreja na terra foram deixadas de lado, e uma bolsa cheia de dinheiro foi aceita em troca.
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