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O Filho falou à esposa, dizendo: “Quando o demônio tentar-lhe, diga a ele essas três coisas: ‘As palavras do Senhor nada podem ser além de verdadeiras.’ Segundo: ‘Nada é impossível para Deus, pois para Ele tudo é possível.’ Terceiro: ‘Você, demônio, não poderia me oferecer amor tão grande como aquele que Deus me oferece.’” Mais uma vez, o Senhor falou à esposa, dizendo: “Olho para as pessoas de três maneiras: primeiro, para seus corpos e em que condição estes se encontram; segundo, para suas consciências, e em que caminho estas tendem a seguir; terceiro, seus corações e o que estes desejam.
Como um pássaro que vê um peixe no mar e avalia a profundidade da água, além de considerar as condições do vento, Eu também conheço e avalio os modos de cada pessoa e considero o que é devido a cada um, pois sou mais perspicaz e posso avaliar a situação humana melhor do que uma pessoa possa conhecer a si mesma. Portanto, como vejo e conheço todas as coisas, você pode perguntar-me por que não afasto os malfeitores antes destes se afundarem no pecado. Eu mesmo me fiz essa pergunta e Eu mesmo a responderei: Sou o Criador de todas as coisas, e todas as coisas são reveladas a mim. Conheço e vejo tudo o que foi e tudo o que será.
Porém, embora saiba e possa fazer tudo, ainda assim, por questões de justiça, não interfiro na constituição natural do corpo mais do que na inclinação da alma. Cada ser humano existe de acordo com a constituição natural do corpo, assim como é e como foi originado a partir da eternidade em minha revelação. O fato de uma pessoa viver mais do que outra tem a ver com a força da natureza ou fraqueza e é relacionada à constituição física da pessoa. Não é devido à minha revelação que uma pessoa perde a visão ou outra se torna incapaz ou algo parecido, já que minha revelação de todas as coisas é tal que ninguém é inferior a ela, e a mesma também não é prejudicial a ninguém.
Ademais, isso não acontece em razão do curso e posição dos elementos sagrados, mas devido ao princípio escondido de justiça na constituição e conservação da natureza. Pois o pecado e a desordem natural levam à deformidade do corpo de diversas maneiras. Isso não acontece porque assim o desejo diretamente, mas porque Eu permito que isso aconteça pelo bem da justiça. Mesmo que possa fazer tudo, não obstruo a justiça. Portanto, a extensão ou brevidade de uma vida está relacionada à fraqueza ou força de sua constituição física, assim como foi apresentado em minha revelação que ninguém pode questionar.
Isso pode ser compreendido através de uma comparação. Imagine que havia duas estradas e outra que conduzia a elas. Havia muitos túmulos nas duas estradas, que se cruzavam e se sobrepunham. O fim de uma dessas estradas se direcionava para baixo; o fim da outra tendia para cima. No cruzamento estava escrito: “Quem viajar nesta estrada inicia sua jornada com prazer e alegria e a termina com miséria e degradação. Quem viajar na outra estrada inicia sua jornada com esforço moderado e suportável e alcança o fim com grande alegria e conforto.” Um indivíduo que andava por uma única estrada era completamente cego. Entretanto, quando ele alcançou o cruzamento, seus olhos foram abertos e ele viu o que estava escrito sobre como as duas estradas terminavam.
Enquanto ele observava o sinal e refletia sobre o mesmo, apareceram repentinamente dois homens que haviam sido encarregados de guardar as duas estradas. Enquanto observavam o viajante no cruzamento, diziam um ao outro: “Observemos cuidadosamente qual estrada ele escolherá seguir e então ele pertencerá àquele cuja estrada ele escolher”. O viajante, no entanto, considerava os fins e as vantagens de cada estrada. Tomou a decisão prudente de escolher a estrada cujo início envolvia certa dor, mas prometia alegria no final, em vez de escolher a estrada que começava em alegria, mas terminava em dor. Ele decidiu que era mais sensato e suportável cansar-se um pouco no começo e descansar em segurança no fim.
Você compreende o que tudo isto significa? Eu devo dizer-lhe. Estas duas estradas são o bem e o mal que existem dentro do ser humano. Cabe à capacidade e livre arbítrio de um indivíduo escolher o que quer ao atingir a idade da discrição. Uma única estrada conduz às duas que levam à escolha entre o bem e o mal; em outras palavras, a infância caminha em direção à maioridade. O homem que caminha pela primeira estrada é como um cego, pois ele é, por assim dizer, cego desde sua infância até atingir a maioridade, pois não sabe distinguir entre bem e mal, entre pecado e virtude, entre o que é permitido e o que é proibido.
O homem que caminha pela primeira estrada, ou seja, na idade da juventude, é como um cego. Entretanto, quando ele atinge o cruzamento, ou seja, a idade da discrição, os olhos de sua compreensão são abertos. Ele, então, sabe decidir se é melhor suportar certa dor seguida de felicidade eterna ou obter certa felicidade seguida de dor eterna. Em qualquer caminho que ele escolher, não faltarão aqueles que julgam cuidadosamente seus passos. Nessas estradas há muitos túmulos, um atrás do outro, um oposto ao outro, pois, tanto na juventude quanto na velhice, um indivíduo pode morrer mais cedo, outro mais tarde, um ainda jovem, outro velho. O final desta vida é simbolizado de maneira apropriada por túmulos: ele virá para todos, de um modo ou de outro, de acordo com a constituição natural de cada um e exatamente como Eu assim revelei.
Se Eu afastasse um indivíduo de sua constituição natural, o demônio teria motivos para acusar-me. Portanto, para que o demônio não encontre em mim algo que possa contrariar a justiça, não interfiro na constituição natural do corpo mais do que interfiro na constituição da alma. Mas considere minha bondade e misericórdia! Pois, como o professor diz, dou virtude àqueles que não a possuem. Em razão de meu grande amor, concedo o reino dos céus a todos aqueles que foram batizados e morrem antes de atingirem a idade da discrição. Como está escrito: Alegra a meu Pai conceder o Reino dos Céus a estes.
Em razão de meu amor terno, demonstro misericórdia até mesmo às crianças pagãs. Se qualquer um deles morre antes de atingir a idade da discrição, como eles não podem me conhecer cara a cara, eles então vão para um lugar que não é permitido que se saiba, mas onde eles viverão sem sofrimento. Aqueles que já passaram a estrada única atingem as duas outras estradas, ou seja, a idade da discrição entre o bem e o mal. Está, então, em seu poder escolher o que mais lhes agrada.
Sua recompensa se inclinará de acordo com sua vontade, já que a partir de então eles sabem ler os sinais escritos no cruzamento dizendo que é melhor suportar certa dor no início e alegria esperando por eles no final, do que obter alegria no início e dor no final. Algumas vezes, pode acontecer de um indivíduo ser levado mais cedo do que sua constituição física natural normalmente possibilitaria, por exemplo, por decorrência de um homicídio, embriaguez e outras coisas do tipo.
Isto acontece pois a maldade do demônio é tal que o pecador neste caso receberia uma punição extremamente duradoura se ele continuasse vivo por um longo período. Portanto, algumas pessoas são levadas mais cedo do que sua condição permitiria devido à necessidade de justiça em razão de seus pecados. Sua retirada do mundo foi revelada a mim desde a eternidade, e é impossível a qualquer um opor-se à minha revelação.
Algumas vezes, pessoas boas também são levadas mais cedo do que sua condição física natural possibilitaria. Em razão do grande amor que sinto por elas e de seu grande amor e esforço em disciplinar o corpo pelo meu bem, a justiça pede que eles sejam levados embora, como foi revelado a mim desde a eternidade. Assim, não interfiro na constituição natural do corpo mais do que interfiro na constituição da alma.”
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