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“Você está imaginando por que estou te dizendo tais coisas e por que estou revelando tais maravilhas a você. É só por sua causa? Claro que não, é para a edificação e salvação dos outros. Você sabe, o mundo era como um tipo de selva, na qual havia uma estrada que conduzia diretamente para as profundezas do inferno. No inferno havia duas câmaras. Uma era tão profunda que não havia fundo e as pessoas que entravam nela nunca mais retornavam. A segunda não era tão profunda e assustadora como a primeira. Aqueles que entravam nela tinham alguma esperança de ajuda; eles experienciaram a saudade e a demora, mas não a miséria, a escuridão, mas não o tormento.
As pessoas que moravam nessa segunda, diariamente, enviavam seus prantos para uma esplêndida cidade vizinha, que era cheia de coisas boas e prazerosas. Eles choravam muito alto, para que eles soubessem o caminho para a cidade. Entretanto, a floresta selvagem era tão grande e densa que eles eram incapazes de atravessá-la ou conseguir qualquer avanço, por causa da sua densidade, e eles não tinham força para avançar o caminho por entre ela. O que era o pranto deles? O pranto era: ‘Ó, Deus, venha e nos ajude, mostre-nos o caminho e nos ilumine, estamos esperando por você! Não podemos ser salvos por ninguém, exceto por Você’. Este pranto veio aos meus ouvidos no paraíso e me comoveram para a misericórdia. Saciada por seus prantos, vim à selva como um peregrino.
Mas, antes comecei a trabalhar e fazer o meu caminho, uma voz falava à minha frente, dizendo: ‘O machado já está posto à raiz das árvores’. Esta voz era de João Batista. Ele foi enviado antes de mim e clamava no deserto: ‘O machado já está posto à raiz das árvores’, o que isso quer dizer: ‘Permita a raça humana preparar-se, pois o machado agora está pronto e veio para preparar o caminho para a cidade arrancando todos os obstáculos’. Quando eu vim eu trabalhei do nascer ao pôr-do-sol, ou seja, me devotei para a salvação da humanidade do momento da minha encarnação até minha morte na cruz.
No começo da minha jornada, sobrevoei dentro da selva longe dos meus inimigos, mais precisamente, de Herodes, que estava à minha procura; Fui testado pelo demônio e sofri a perseguição dos homens. Posteriormente, enquanto suportava muita labuta, comi e bebi impecavelmente obedecendo as outras necessidades naturais a fim de construir a fé e mostrar que Eu realmente tinha assumido a natureza humana. Enquanto eu preparava o caminho para a cidade eterna, ou seja, para o paraíso, e derrubava todos os obstáculos que apareciam, espinhos me arranhavam e unhas ríspidas machucavam meus pés e minhas mãos. Meus dentes e meu rosto foram severamente maltratados.
Agüentei tudo isso com paciência e não dei as costas, mas sim, fui adiante fervorosamente, como um animal levado pela fome, que quando vê um homem segurando uma lança contra ele, a lança torna-se seu desejo de pegar aquele homem agressor. E quanto mais o homem enfia a lança nas entranhas do animal, mais o animal se impulsiona contra a lança em seu desejo de pegar o homem, até que finalmente suas entranhas e todo seu corpo estejam perfurados. Da mesma maneira, me inflamei com tal amor pelas almas, que, quando Eu observei e experimentei todos esses tormentos severos, quanto mais ávido os homens estavam para me matar, mais ansioso eu me tornava para sofrer pela salvação das almas.
Assim, Eu fiz o meu caminho na selva desse mundo e preparei uma estrada através do meu sangue e suor. O mundo pode muito bem ser chamado de selva, desde que era vazio de todas as virtudes e continuou uma selva de maldade. Só havia uma estrada na qual todos eram levados para o inferno, os condenados ao inferno iam rumo à maldição, o único rumo era para a escuridão. Ouvi piedosamente os clamores existentes que há muito tempo pediam por salvação e, então, vim como um peregrino para trabalhar. Desconhecido para eles, em minha divindade e poder, preparei o caminho que leva ao Céu. Meus amigos viram este caminho e observaram as dificuldades do meu trabalho e minha ânsia de coração e muitos deles me seguiram na alegria durante muito tempo.
Mas agora houve uma mudança na voz que costumava gritar: ‘Esteja pronto!’ Meu caminho mudou, os espinhos cresceram e aqueles que estavam avançando nele pararam. O caminho para o inferno se abriu. Ele é amplo e muitas pessoas viajam por ele. Contudo, para não deixar meu caminho completamente esquecido e omitido, meus poucos amigos continuam em seu anseio em busca do paraíso, como os pássaros mudando de arbusto em arbusto, escondidos, assim como era, e me servindo sem medo, pois hoje em dia, todo mundo pensa que ao seguir pelo caminho do mundo leva à felicidade e alegria.
Por essa razão, como minhas estradas se tornaram estreitas, enquanto a estrada do mundo se ampliou, Eu estou agora gritando aos meus amigos na selva, ou seja, no mundo, que eles devem retirar os espinhos da estrada que leva ao Céu e recomendar o meu caminho àqueles que estão fazendo o caminho inverso. Assim como está escrito: ‘Bem-aventurados os que não viram, mas creram.’ Do mesmo modo, felizes são aqueles que agora acreditam nas minhas palavras e as colocam em prática.
Como você vê, sou como uma mãe que corre para encontrar seu filho perdido. Ela segura uma lâmpada no caminho para que ele possa ver a estrada. Em seu amor ela vai encontrá-lo e encurtar sua jornada. Ela vai até ele abraça-o e acolhe-o. Com um amor como este eu vou correr para encontrar meus amigos e todas as pessoas que regressam para mim, e darei a luz da divina sabedoria para suas almas e corações. Abraçarei-os com glória e envolverei-os com a Corte Celeste onde não há nem céu acima nem terra abaixo, mas apenas a visão de Deus; onde não há nem comida nem bebida, mas apenas o prazer de estar com Deus e poder vê-lo.
A estrada do inferno está aberta para o mal. Uma vez que eles entram nela, nunca sairão. Eles ficarão sem glória ou alegria e serão preenchidos pela miséria e desgraça perpétuas. É, por isso, que falo estas palavras e revelo este meu amor, para que aqueles que tenham se afastado possam voltar para mim e me reconhecer, seu Criador, quem eles esqueceram.”
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